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O guia completo para a racionalização de alarmes

Saiba tudo sobre a racionalização de alarmes e como ela pode transformar sua indústria

A sua indústria possui alarmes que anunciam excessivamente, transitam entre ativado e desativado em um curto intervalo de tempo ou que permanecem ativos por um longo período? Provavelmente você tem um problema de racionalização de alarmes.

A racionalização de alarmes pode ser comparada a revisão do seu carro. Periodicamente você faz uma revisão, onde as concessionárias realizam um checklist para verificar se peças, motor, freios, embreagem, suspensão e afins estão nos conformes.

De maneira semelhante, o mesmo ocorre na racionalização. Nela você faz um checklist de todos os alarmes para saber se eles estão nos conformes. Assim, os que não estão podem ser removidos ou ser realizado outros tipos de adequações nas configurações dos alarmes.

Conforme a evolução da tecnologia, o esforço necessário para criar um alarme se tornou mínimo. Consequentemente, os operadores estão cada vez mais sobrecarregados com mais alarmes do que eles podem dar conta efetivamente e inundados de alarmes incômodos.

Esses fatores aumentam a possibilidade de que os operadores percam um alarme crítico e torna mais difícil responder à um distúrbio da planta. Isso eleva as chances de uma parada não planejada (grandes perdas financeiras) ou um acidente.

Em virtude desse problema que afetava grandes indústrias no mundo todo, foi criada a norma ISA 18.2. O objetivo dela é auxiliar as indústrias a implementar efetivamente as práticas de gerenciamento de alarmes.

Na norma, é apresentado todo o fluxograma e metodologia para um design, implementação, operação e gerenciamento de um sistema de alarmes de sucesso. Diante disso, uma das principais práticas abordadas na ISA 18.2 é a racionalização de alarmes.

Essa prática é um processo contínuo de revisão e documentação dos alarmes em um sistema para garantir que eles são realmente necessários e projetados para auxiliar o operador a diagnosticar e responder às situações.

Nesse artigo, vamos abordar ainda os seguintes tópicos sobre a racionalização de alarmes:

  • O que é (mais detalhado)
  • Benefícios
  • Etapas
  • Tempo requerido para realização
  • Pré-requisitos

 

O que é a racionalização de alarmes?

A racionalização de alarmes é uma etapa do processo de gerenciamento de alarmes. Para facilitar a compreensão, indicamos a leitura do texto alarme industrial para que você entenda o conceito e o que define um de fato. Será muito importante.

Quando se trata de alarmes, mais não é melhor. Isso porque quanto mais alarmes você colocar, maior as chances de confundir o operador. O ideal é ter um sistema contendo o mínimo de alarmes configurados para manter o processo seguro e com limites de operação normal.

A racionalização de alarmes é o processo onde uma equipe multidisciplinar dos stakeholders da planta revisam, justificam e documentam que cada alarme atende aos critérios para ser um alarme conforme estabelecido no documento de filosofia de alarme da empresa.

É na etapa de racionalização que são definidos os atributos para cada alarme, como prioridade, classificação e tipo. Além disso, também são documentadas as consequências, tempo de resposta e ação do operador.

A entrega final da racionalização de alarmes é um documento contendo os requisitos de configuração de cada alarme. Este documento pode ser denominado de catálogo de alarmes.

 

Benefícios da Racionalização de Alarmes

Depois de descobrir o que é a racionalização de fato, vamos entender como isso pode impactar a sua indústria.

Após completar essa etapa, é esperado que o sistema de alarmes sinalize significativamente menos ativações de alarmes e menos alarmes incômodos, intermitentes (chattering) e obsoletos (stale).

Por consequência, a resposta do operador aos alarmes será mais rápida e efetiva. Pois, os alarmes serão mais confiáveis, terão boa orientação (pela documentação), priorizados para sequência de ação correta e livre de confusões de alarmes redundantes frequentes.

 

Ingredientes para uma racionalização de sucesso

Agora que entendemos melhor os benefícios, precisamos ter atenção antes de partimos para a implementação. Existem alguns pré-requisitos necessários para que se possa implementar uma racionalização de alarmes de sucesso, como:

1- Documento da filosofia de alarmes, estabelecendo regras e as principais referências chave de desempenho.

2- Dados do desempenho do atual sistema de alarmes, incluindo carga de alarmes, assim como identificação dos alarmes incômodos e ocorrência de alarmes frequentes.

3- Software de racionalização de alarmes, para promover uma organização clara da revisão dos alarmes, produtividade operacional e habilidade de documentar os resultados em insights úteis para tomada de decisão.

4- Um time de racionalização multidisciplinar com representantes da operação, processo, instrumentação e sistemas de engenharia.

A ausência de qualquer um desses pontos pode afetar diretamente a eficiência da sua racionalização de alarmes.

 

Etapas de uma Racionalização de Alarmes Completa

Com maior clareza de como a racionalização pode beneficiar sua indústria, vamos entender as atividades envolvidas.

Primeiramente, durante a racionalização todos os existentes ou potenciais alarmes são comparados aos critérios documentados na filosofia de alarmes. Após isso, é criado um projeto detalhado de cada alarme para registro.

As atividades são:

  • justificativa do alarme
  • determinação do setpoint do alarme
  • priorização do alarme
  • classificação do alarme
  • revisão da racionalização

 

Justificativa do alarme

Na justificativa deve-se levar em consideração quatro tópicos, são eles:

 

1- Processo

Todo alarme que está sendo racionalizado é comparado aos critérios da filosofia de alarme para justificar que é um alarme. Os critérios incluídos são:

  1. O alarme é direcionado ao operador;
  2. O alarme indica um desvio do processo, condição anormal ou má funcionamento de um equipamento;
  3. o alarme requer uma resposta precisa.

 

2- Abordagem

A abordagem utilizada no processo de justificativa deve ter:

  1. Abordagem de equipe, incluindo conhecimento do processo e do sistema de controle;
  2. Depende fortemente dos dados de entrada (opinião) do operador.

 

3- Justificativa individual do alarme

As informações necessárias devem estar na filosofia de alarmes, geralmente inclui:

  1. verificar que os alarmes propostos se encaixam nos critérios para ser um alarme na filosofia;
  2. a ação que o operador deve tomar em resposta ao alarme;
  3. a consequência que ocorrerá caso a ação não foi tomada ou seja sem sucesso,
  4. o tempo de resposta disponível.

 

4- Impacto na performance do sistema de alarmes

A justificativa do alarme deve verificar que:

  1. o alarme não irá se tornar incômodo;
  2. o alarme não está duplicando outro alarme.

 

Determinação do setpoint do alarme

Na hora de determinar o setpoint, deve ser levado em consideração:

  1. o tempo de resposta disponível
  2. a complexidade da ação corretiva do operador
  3. o tempo necessário para completar a ação do operador
  4. o alcance normal da operação
  5. conhecimento da história e operação do processo

 

Priorização de Alarmes

A priorização de alarmes é utilizada para auxiliar o operador a determinar a ordem de qual alarme responder. O método de priorização deve estar definido na filosofia de alarme e é aplicado na racionalização

Uma priorização efetiva contém menor quantidade de alarmes com alta prioridade e maior quantidade de baixa prioridade. Você pode entender mais sobre as metodologias de priorização de alarmes neste artigo.

 

Classificação de Alarmes

A classificação de alarmes é o processo de separação dos alarmes em classes baseado em requisitos comuns. Por exemplo: alarme de teste, treinamento, monitoramento, requisitos de auditoria e segurança.

Os alarmes podem ser classificados em uma ou mais classes como definido na filosofia de alarme. A classificação pode ocorrer antes, durante ou depois da justificação de alarmes e da priorização.

Alarmes da mesma classe não precisam necessariamente ter a mesma prioridade.

 

Revisão

Após finalizar as etapas de justificação, priorização e classificação de todos os alarmes, os resultados devem ser revisados para garantir a consistência da racionalização.

Os resultados devem ser comparados com as metas definidas para número e prioridade de alarmes que foram documentadas na filosofia de alarme.

 

Finalização e Documentação

Por fim, ao concluir a revisão e finalizar o processo de racionalização, os alarmes podem ser ajustados, removidos ou até ser incluído novos alarmes. O importante é que qualquer mudança observada seja implementada e devidamente documentada.

Além disso, as justificativas de qualquer mudança deve ser documentada. Logo, deve ser incluso o porquê dos alarmes removidos, adicionados ou ajustados.

A documentação será a base que irá garantir a integridade do sistema de alarmes e serve como:

  1. documento de entrada para o projeto detalhado do processo do gerenciamento de alarmes;
  2. é utilizada como parte do gerenciamento de melhorias;
  3. consulta ao procedimento de resposta de alarmes;
  4. treinamento e uso dos operadores;
  5. auditorias periódicas;
  6. avaliação dos dados de monitoramento e efetividade dos alarmes.

 

Conclusão

Depois dessa conversa, chegamos ao fim do nosso artigo. Com ele, esperamos que você tenha agora maior clareza sobre como esse processo pode transformar a sua indústria.

Com certeza se você possui problemas com alta taxa de alarmes frequentes, alarmes incômodos e/ou uma grande quantidade de alarmes de alta prioridade, implementar esse processo pode trazer resultados incríveis.

Se ficou alguma dúvida acerca do assunto, pode entrar em contato comigo através do matheus.romano@logiquesistemas.com.br que ficarei muito feliz em ajudar!

Fique à vontade para compartilhar esse conteúdo com quem você acredita que teria interesse em ler.


Tags: Automação Industrial Gerenciamento de Alarmes isa 18.2 Otimização Industrial racionalização de alarmes

Postado por Matheus Romano

Um pouco sobre o autor (a): Graduando em Engenharia Química na UFRN e ex-diretor Comercial e de Marketing na NuTEQ, sou apaixonado por desafios, viagens, músicas e esportes. Atualmente sou responsável pelo processo de Inbound Marketing na Logique Sistemas.


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